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Voluntariado #3

12.10.17

Tinhamos acabado de chegar ao terminal de autocarros.

 

A Hazel disse-nos o que precisávamos de fazer!

Basicamente era preciso comprar aquilo que ela chamava de "master ticket", que correspondia a um bilhete que incluía todos os transportes necessários para chegar a Montezuma.

Custava cerca de 15 dólares.

 

Para se ter noção, a viagem de San José até Montezuma estava dividida da seguinte forma: duas horas e meia de viagem de autocarro desde San José até Puntarenas, em Puntarenas teríamos que esperar pelo ferry boat, cuja viagem demoraria cerca de uma hora e meia, de seguida apanhávamos o mesmo autocarro no qual tinhamos vindo até Puntarenas, porque esse autocarro vinha dentro do ferry, entrávamos nesse autocarro e fazíamos uma viagem de duas horas até Cobano onde trocaríamos de autocarro, autocarro esse que finalmente nos levaria até Montezuma, num percurso de cerca de 30 minutos.

 

Resumindo: um inferno de viagem!

Desde chover dentro dos autocarros, a autocarros sem portas e janelas, "estradas" que mais pareciam pistas de motocross e um ferry boat onde mais de metade dos passageiros tinha que ir de pé!

 

No entanto, para mim o momento mais marcante do percurso  foi durante a viagem de ferry boat!

Apanhámo-lo ainda de dia, mas como a viagem durou mais de uma hora, a parte final da viagem fizémo-la de noite e há um momento que vou recordar para sempre, tal foi o impacto!

É o momento em que estamos a chegar à península e cujo cenário é verdadeiramente imponente!

Noite cerrada, porque lá anoitece muito cedo, um único barco no meio do nada e à frente uma ilha gigante!

Só me vinha à memória as cenas do filme do King Kong, quando chegam à ilha!

Quem viu o filme do King Kong de 2005 é exatamente igual!

É impossivel não se ter receio, porque não se conhece nada nem ninguém e a atmosfera involvente é extraordinariamente inquietante! Sentes-te completamente perdido, sem saber o que vais encontrar! 

 

Foi assim que me senti, quando na parte de fora do ferry presenciei aquela imagem!

 

Foi duro!

Toda a viagem, desde San José, durou mais de sete horas!

Partimos às 14h e chegámos a Montezuma já depois das 21h.

 

Mas chegámos!

 

O autocarro parou e foi dado o alerta que tinhamos finalmente chegado a Montezuma.

Saímos do autocarro e fomos buscar as nossas malas, na esperança que estivessem intactas!

 

Depois pusémo-nos a caminho até ao destino correto: ASVO (Asociación de Voluntarios para el Servicio en Áreas protegidas de Costa Rica).

 

Comigo e com o Ricardo estavam mais sete voluntários, que acabámos por conhecer ao longo da viagem até Montezuma e que vinham com o mesmo propósito!

Tudo gente jovem, um casal de namorados alemães, uma rapariga alemã, duas inglesas e duas francesas.

Éramos nove no total!

 

O caminho a pé até à casa demorou cerca de cinco minutos!

Tivemos sorte... não estava a chover!

 

Quando cheguei à casa, percebi de facto para o que vinha!

Tinha paredes, já não era mau.

 

Fomos recebidos por uma bióloga, que encaminhou as raparigas para o seu quarto e os rapazes para o nosso.

 

Era eu, o Ricardo e o Alexander.

 

O nosso quarto, tinha seis bliches e não estava lá ninguém!

Foi a nossa sorte!!

Cada um ficou com duas camas. A de baixo para por as malas e as coisas de cada um e a de cima para dormir, até porque era mais fácil colocar a rede mosquiteira presa ao teto do quarto!

 

Fomos jantar! 

Massa com molho de tomate! Estava com tanta fome que me soube muito bem!

 

Depois do jantar estivemos um bocado à conversa com a bióloga e conheci o Ricardo Bonilla, que era um dos responsáveis pela ASVO ali na Costa Rica e que me ajudou logo com o wi-fi!! Estava desesperado para poder falar com os meus pais e amigos!

 

Fui me deitar ainda antes das 23h!

Estava completamente exausto!

 

No dia seguinte, iniciava-se oficialmente uma aventura inesquecível!

 

Até ao próximo capítulo!

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publicado às 20:11


Voluntariado #2

05.10.17

http://oenginheiro.blogs.sapo.pt/voluntariado-1-13991

 

A viagem de autocarro até ao aeroporto foi calma!

Já era tarde, havia pouco movimento nas ruas. Em pouco mais de meia hora estávamos de regresso ao aeroporto de Newark.

Estávamos completamente rebentados e ainda tinhamos que esperar mais de sete horas pelo voo que nos levaria diretamente a San José, a capital da Costa Rica.

 

As horas que se seguiram foram de quase desespero.

Porquê?

Porque os poucos sítios que permitiam deitar estavam obviamente ocupados e a juntar a isso o ar condicionado estava ridiculamente alto. Um frio quase insuportável!!

Tudo o resto resumia-se a cadeiras, pouco cómodas por sinal.

Ainda tentámos mais do que uma vez sentar e tentar descansar, mas não dava!

 

Levantámo-nos e fomos dando voltas pelo aeroporto. O aeroporto de Newark está dividido em três zonas. Zona A, B e C, todas elas ligadas através de um pequeno comboio/metro que faz a viagem entre as três "estações". Cerca de 30 segundos entre cada uma delas.

 

Metemo-nos nesse comboio e íamos entrando e saindo em cada estação. Era um autêntico carrossel. Às vezes até nos deixávamos ficar dentro do comboio e não saíamos, de tal maneira que os funcionários do aeroporto que estavam junto às estações já nos cumprimentavam e percebiam que estávamos só ali a fazer tempo.

 

Andámos nisto talvez umas duas horas, nem sei!

Seriam umas 3 da manhã e ainda faltavam 4 horas para o voo. A juntar a isso já tinhamos entregue as malas e já tinhamos os bilhetes, uma vez que tratámos disso mal chegámos ao aeroporto, por isso só teriamos que passar pelas habituais zonas de segurança até chegar ao nosso terminal.

 

Decidimos sentar na zona da restauração e descansar.

Assim foi! Eu juntei três cadeiras e deitei me. Claro, que de 20 em 20 minutos acordava, mas o tempo acabou por passar e às 6 da manhã pegámos nas mochilas e fomos embora!

 

O aeroporto ainda estava deserto! O nosso voo partia por volta das 7 e 30 da manhã!

Foi tudo muito rápido!

Trinta minutos depois já estávamos sentados na zona de embarque à espera de sermos chamados para entrar no avião!

Claro que ainda demorou! Ainda esperámos algum tempo, mas a pior parte já tinha passado.

Agora era entrar para o avião e aproveitar as mais de cinco horas de voo até San José para dormir!

 

E assim foi! Pouco me lembro da viagem até lá porque a maior parte do tempo fui a dormir. 

Lembro-me de comer qualquer coisa dentro do avião, de ir à casa de banho e nos últimos quinze minutos de voo acordei para ver a chegada à Costa Rica!

 

Ainda antes de aterrar dava para perceber a diferença brutal entre os prédios, os monumentos, as lojas de Nova Iorque e o verde, os pastos, os rios, as montanhas, as cascatas deste país. 

 

Dois países, duas realidades completamente diferentes. Percebia-se isso ainda do céu!

 

À nossa espera no aeroporto estava uma senhora que nos iría levar até ao Hostel Pangea no centro de San José.

Íamos ficar uma noite em San josé para poder descansar e também para conhecer um pouco da cidade!

No dia seguinte, à tarde, faríamos a viagem até ao destino final, Montezuma!

 

Chegámos ao Hostel ainda antes do meio dia! Na Costa Rica são menos 7 horas do que em Portugal e menos 2 do que nos EUA.

 

Durante a viagem até ao hostel a senhora falou-nos do país, da cultura, das pessoas e deu para perceber que de facto existe um grande atraso a todos os níveis, se compararmos com a maioria dos países na Europa!

 

É tudo muito diferente!

 

A grande maioria das casas é pobre, com telhados em chapa, construções muito rudimentares, pessoas simples na forma de vestir e de falar. A América latina está muitos degraus abaixo da realidade europeia! Tem muito que evoluir ainda!

É outro mundo!

 

Mas só quando saí do carro, em plenas ruas de San José, comecei a perceber que estava num sítio diferente. É difícil de explicar o que se sente. Acho que a melhor definição é perdido. Sentia-me perdido, no fim do mundo mesmo! O que vale é que estava com um amigo! É uma grande ajuda, saber que não estava ali completamente só!

 

A entrada do Hostel era estranha! Um portão cor de laranja em chapa metálica. Lá dentro as paredes estavam pintadas com desenhos um pouco assustadores. 

Um corredor pouco iluminado levava-nos até à recepção!

Já lá estavam algumas pessoas (hóspedes) estrangeiros, que permitiu logo perceber que aquele era um sítio destinado sobretudo a gente jovem, pessoas que vinham à descoberta.

O responsável, que já contava com a nossa chegada, deu-nos a chave do quarto e levou-nos até lá!

Um quarto que não devia ter mais de 15 metros quadrados, composto por 3 bliches, 6 camas no total. Foi aí que percebemos que era possível que mais pessoas dividissem o quarto connosco.

 

Deixámos as malas no quarto e fomos almoçar!

Estávamos famintos!

Mas aí surgiu novo problema! Onde?! 

Só havia cafezinhos/rolotes a vender hambúrgueres, cachorros, tudo comidas que nos foi sugerido para não comer!

Sim, na consulta do viajante que fizémos antes de vir disseram-nos claramente para não comer nada nesse tipo de sítios.

Bem, decidi perguntar por um hotel!

Achei que seria a melhor solução, lá deveria haver algo mais decente.

E assim foi. Encontrámos um hotel simpático de quatro estrelas com um restaurante à entrada que servia pizzas.

E foi isso mesmo que pedimos!

Passámos lá bastante tempo, o empregado era brasileiro e por isso deu-nos logo algumas dicas sobre a cidade e sobre Montezuma, para onde iríamos no dia seguinte.

 

Quando regressámos ao Hostel já eram umas 17 ou 18 horas. Era tempo de dar um volta lá por dentro e perceber o que lá havia!

Resumo: um autêntico labirinto!

Tinha um sala de refeições, uma zona de lazer, com sofás, mesas e uma mesinha de snooker (não em grandes condições), tinha uma zona que servia como uma pequena discoteca à noite e até uma piscina tinha! A água da piscina é que era muito escurinha! Obviamente não me atrevi a entrar!

 

Havia uma zona própria para carregar os telemóveis e uma mini biblioteca!

Mas era tudo construído com materiais básicos! 

É daquelas construções em que se acontecesse um terramoto ía tudo ao chão. Literalmente!

Ao menos aguentava com a água da chuva! E era muita! Nunca tinha visto chover daquela maneira! Mete respeito.

 

As horas passaram, fui deitar-me cedo.

Precisava de dormir!

 

No dia seguinte, quando acordei, estavam lá mais dois rapazes no quarto!

Nem dei conta que tinham entrado.

Teriam, os dois, por volta dos vinte e tal anos, trinta no máximo.

 

Tanto eu, como o meu amigo Ricardo  acordámos cedo!

Aproveitámos a manhã para dar uma volta por alguns sítios da cidade.

 

Vimos a casa amarela onde se recebem personalidades importantes, a casa do chefe de estado, alguns monumentos, zonas verdes, o mercado e a feira.

Existe uma forte contestação ao regime de lá. Muitos cartazes, graffitis e pessoas que demonstram a sua insatisfação face ao governo. Mas a democracia é assim mesmo! Cada um tem direito à sua opinião e a manifestá-la de forma ordeira.

 

Ao final da manhã estávamos de volta ao hostel!

Estávamos prontos para partir para Montezuma!

Tinhamos já deixado as malas arrumadas e assim era só esperar pela Hazel, que seria a senhora que nos levaria até ao terminal de autocarros.

 

Daí para a frente, uma viagem interminável de sete horas esperava por nós.

 

Aguentem até lá que vale a pena :)

 

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